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Este blog pertence a uma estudante de psicologia e pretende ser um local onde são colocados textos das diversas áreas temáticas do mundo da psicologia. O seu conteúdo é uma análise pessoal dos diversos temas junto com pesquisas em livros, internet e material académico.



domingo, 24 de julho de 2011

Diagnóstico diferencial- linha ténue entre o que é e o que aparenta ser

Li agora pela primeira vez o DSM com olhos de ver. Já tinha anteriormente lido alguns casos e pesquisado sobre algumas patologias. Mas desta vez algo de novo se passou, assim que comecei a ler, comecei a achar muitos das patologias como forçadas ou pelo menos possíveis em determinados momentos das nossas vidas. A meu ver, qualquer criança mais agitada pode ser apelidada de hiperactiva, qualquer pessoa pode ter sintomas de depressão durante algum tempo (segundo o DSM tem um período especifico para ser diagnosticado), qualquer um pode ter uma fobia sem que isso lhe seja prejudicial,  na infância pequenos deslizes esquizofrénicos com alucinações em relação a um amigo oculto, a bipolaridade pode ser visível em certos dias da nossa vida e a nossa adaptação a diferentes pessoas e ambientes como uma forma de múltipla personalidade. Considero que nalgum período da vida e perante a reacção a determinada situação, ambiente ou pessoa póssamos aparentar determinada patologia se no momento consultarmos um psicólogo, o que é grave. Apesar de tudo, cada vez mais é feita a consciencialização dos erros a que os psicólogos estão sujeitos e cada vez mais se aposta numa actuação com o máximo de sintomas possível e o máximo de responsabilidade na decisão que se está a tomar. Afinal, aquela pessoa que a nós recorreu, perante um episódio que de alguma forma é gerador de mal-estar, verá no diagnóstico e na forma de relacionamento que temos com ela um modo de resolver o problema e tomará muito mais atenção ao que lhe diagnosticamos e terá um impacto enorme na sua vida.
  •  Um dos estudos mais interessantes acerca dos diagnósticos diferenciais foi feito por Rosenhan (1973) onde o investigador e alguns colaboradores ao indicarem ouvir vozes tentaram ser admitidos em vários hospitais psiquiátricos e conseguiram. Depois de estarem internados e de referirem que já não ouviam vozes permaneceram em media 19 dias (dependendo dos hospitais, variava dos 7 aos 52 dias de permanência).
  • O estudo de Langer e Abelson (1974) também é bastante curioso. Estes dois estudiosos, colocaram em análise as atribuições causais de uma mesma pessoa em situação de candidata a um emprego ou em situação de paciente e verificaram que existia uma grande diferença. Na situação de paciente os sintomas psicopatológicos estariam sempre presentes. Assim, aquilo que na situação de candidato a emprego poderia ser simpático, classe media, competente, responsável. Na situação de paciente poderia ser tenso, dependente, defensivo, entre outros.
Todos os psicólogos assim que um paciente entra no consultório estão sujeitos a este tipo de analise mais patológica da pessoa. Por diversos motivos, o psicólogo está pronto para analisar psicologicamente aquele sujeito, atribuindo todo e qualquer comportamento ou atitude à sua personalidade. Isto deixa-me pensativa. Para mim, o objectivo de um psicólogo é criar um bem-estar a nível psicológico e contribuir para que a pessoa venha a sair de lá mais leve. Mas este paralelismo prova precisamente o contrário, invés da pessoa sair mais leve, pode sair com uma patologia que ainda que não seja divulgado o nome, há sempre uma condução das consultas nesse sentido. Não pretendo ser assim, ainda que o caminho mais fácil seja esse. Para mim, desde sempre foi mais importante prever e acima de tudo promover a saúde mental desde a infância, assim evitar-se-ia na adolescência problemáticas e em adultos as patologias. De modo algum as pessoas que tenham as condições para ser mentalmente equilibradas são totalmente equilibradas. Mas, penso que uma boa base trará com certeza uma influência na resolução dos problemas com que se deparam ao longo da vida. Caminhamos para a prevenção e para a promoção da saúdemental, os hospitais psiquiatricos cada vez estão mais próximos da comunidade e estão mais preocupados em melhorar o bem-estar. Assim, acredito que vamos num bom caminho. O diagnóstico é positivo, tem as suas vantagens para conseguir o tratamento adequado mas deve ser usado com bastante precaução cientes da fragilidade daquele que nos procura e da importância que o seguimento das consultas através do tratamento lhe trará. Uma boa dose humana para mim basta. Mas, ainda assim, considero que há um longo caminho a percorrer, talvez até demasiado ideológico, ainda assim, vantajoso. O objectivo é perceber aquela pessoa em especifico e não apenas a patologia que apresenta.

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